Seminário A Transferência (1960-1961)

Coordenação: Eduardo Rocha, Isabela Xavier F. de Sá e Silvia Costa
Horário: terças-feiras de 10h30 a 12h30

Meio de encontro: presencial (com possibilidade de participação por plataforma Zoom)

É notável o empenho de Lacan, a cada ano de seu seminário, em fazer com que nos interroguemos a respeito do que é uma psicanálise, procurando, por diferentes vias, dar-lhe um suporte rigoroso. Se não se trata, para a psicanálise, do rigor próprio à atividade científica, cabe-lhe, no entanto, produzir seus termos, para que essa experiência seja verificada e criticada de forma consequente. No seminário O ato psicanalítico, que acabamos de atravessar, essa exigência se exerceu pela via privilegiada da lógica. Se, neste seminário, Lacan começa por cernir a estrutura do ato analítico como ato de suportar a transferência, no seminário A transferência – e vale dizer que o título que Lacan deu a ele foi A transferência em sua disparidade subjetiva, sua pretensa situação, suas excursões técnicas – seu propósito é delinear a posição do analista e a função de uma análise através desse fenômeno do campo do amor que é a transferência. Afinal, qual é a especificidade do amor de transferência, qual é seu poder? E em que ele pode subverter ou se contrapor a um certo império do amor difundido no laço social?
A fim de dissecar de que amor se trata nessa singular experiência, Lacan se servirá da referência ao Banquete de Platão, chegando à trilogia de Claudel para pinçar o que chama de experiência radical do desejo.
São muitos os pontos a partir dos quais seremos novamente convidados a interrogar a função do analista, sua responsabilidade e lugar “no momento em que o sujeito está no único caminho a que devíamos conduzi-lo, aquele onde ele deve articular seu desejo” (LACAN, A transferência).